Eu olho para a Luísa dormindo e só penso que há sentimentos que são realmente inexplicáveis. Eu poderia escrever um milhão de linhas e usar todos os adjetivos de amor, ternura, felicidade e paixão e nada seria suficiente pra explicar tantos sentimentos que transbordam do meu coração. Eu sei que um dia ela vai crescer e ter vergonha da mamãe, achar a mãe chata e não ter paciência comigo. Faz parte do ciclo da vida.
Pais e filhos, mães e filhas, vivem num ciclo eterno de encontros e desencontros. E quanto mais seu filho vira gente, pensa por si só, maior é o risco de vocês se afastarem por diferença de personalidade. Quando você vira mãe, pai, precisa saber disso e se preparar psicologicamente para esse rompimento futuro. Mas enquanto os conflitos não surgem e os dilemas são mais "simples", a gente sente tanto amor, tanta paixão, tanta coisa boa, que mesmo sabendo que seu bebê não será seu bebezinho pra sempre, a gente já sabe que todo o pacote que envolve ter filhos é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa.
Eu nunca tive muita convicção da necessidade da maternidade para a minha felicidade até eu descobrir que estava grávida. Ter filhos era minha terceira ou quarta prioridade. E agora, eu só consigo pensar que eu só podia estar louca de não ter desejado a minha vida inteira ter um pacotinho de felicidade só pra mim. Cada espirro, cada soluço, cada careta, cada chorinho, cada soneca, tudo é tão lindo, perfeito, tão gostoso de olhar e pensar "puxa vida, como essa pessoinha saiu de dentro de mim?" que, de verdade, eu tenho vontade de chorar de felicidade cada vez que paro pra pensar na grandeza e privilégio que é ser mãe.
Qualquer desencontro futuro ou qualquer stress da gravidez (há quem ame, eu não curti muito a gravidez em si), qualquer amontoado de noites mal dormidas vale a pena quando a gente olha para a serenidade no rosto do seu bebê enquanto ele dorme. Por isso, se alguém me perguntar o que eu penso sobre ter filhos, hoje, eu só digo o seguinte: façam, porque é o maior amor que você pode sentir nessa vida e você só descobre essa imensidão de sentimentos vivendo tudo isso.
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terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Breve reflexão sobre o amor.
Amar dá trabalho, exige paciência, abrir mão de muitas coisas, muita boa vontade, especialização em engolir sapos, uma dose gigantesca de sangue-frio, mudar muitas coisas na sua vida/comportamento/rotina, conviver com gente que você possivelmente pode não gostar (pode odiar), fazer coisas que você não quer e, ainda assim, é a melhor coisa do mundo.
Quem explica? :)
Quem explica? :)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Das antigas
Resgatando um texto escrito em 2007...
Estima, baixa ou elevada, tesão, atração, amor, respeito, percepções, falsas ou verdadeiras intenções. Cada ser humano entende aquilo que quer entender e acredita (ou não) naquilo que quer.
Pessoas certas nas horas erradas, ressentimentos de quem já foi desprezado, carência de desejo, beijos, abraços, tapas e desprezo, pena, medo, culpa, certezas, incertezas, sonho, realidade, nua e crua. Apenas algumas palavras que ditam nossos relacionamentos, o amor, a excitação, o prazer.
As paredes te olham, você quer subir nelas, é o momento, a pessoa, e você fica sem ação devido à razão. Sente um calor te queimando por dentro, fica vulnerável, pensa nas mil e uma possibilidades que se apresentam.
O gosto da língua, o desejo do desconhecido, o dedo que roça as costas de leve, fazendo todos os pêlos do corpo se levantarem, a pele queimar, o corpo estremecer por dentro, o mel escorrer sobre as colinas atentas aos efeitos que a epiderme estranha provoca.
O olho no olho, a sedução latente, que faz o desejo surgir, dominar e explodir em cada poro dessa máquina de prazer que te envolve desde o nascimento. A vontade insaciável de sentir, amar, urrar, explodir, desmaiar, sem nada precisar, nem um toque, só olhar.
Os dedos deslizam, o medo, o receio, o corpo reage, se contorce, as lágrimas escorrem, o coração explode, o cérebro entra em pane, a lucidez se torna insanidade. O suor, o calor, os gritos, tudo inexiste, só existe aquilo que não se explica, não de descreve, só se sente. Real ou imaginário, forçado ou voluntário.
Ou prevalece a razão, ou a emoção.
Estima, baixa ou elevada, tesão, atração, amor, respeito, percepções, falsas ou verdadeiras intenções. Cada ser humano entende aquilo que quer entender e acredita (ou não) naquilo que quer.
Pessoas certas nas horas erradas, ressentimentos de quem já foi desprezado, carência de desejo, beijos, abraços, tapas e desprezo, pena, medo, culpa, certezas, incertezas, sonho, realidade, nua e crua. Apenas algumas palavras que ditam nossos relacionamentos, o amor, a excitação, o prazer.
As paredes te olham, você quer subir nelas, é o momento, a pessoa, e você fica sem ação devido à razão. Sente um calor te queimando por dentro, fica vulnerável, pensa nas mil e uma possibilidades que se apresentam.
O gosto da língua, o desejo do desconhecido, o dedo que roça as costas de leve, fazendo todos os pêlos do corpo se levantarem, a pele queimar, o corpo estremecer por dentro, o mel escorrer sobre as colinas atentas aos efeitos que a epiderme estranha provoca.
O olho no olho, a sedução latente, que faz o desejo surgir, dominar e explodir em cada poro dessa máquina de prazer que te envolve desde o nascimento. A vontade insaciável de sentir, amar, urrar, explodir, desmaiar, sem nada precisar, nem um toque, só olhar.
Os dedos deslizam, o medo, o receio, o corpo reage, se contorce, as lágrimas escorrem, o coração explode, o cérebro entra em pane, a lucidez se torna insanidade. O suor, o calor, os gritos, tudo inexiste, só existe aquilo que não se explica, não de descreve, só se sente. Real ou imaginário, forçado ou voluntário.
Ou prevalece a razão, ou a emoção.
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Da complexidade de se definir o que é amor...
“Você saberá o que é amor quando te perguntarem o que é ele e você pensar em uma pessoa, e não em uma definição.”
Sempre detestei frases prontas. Amor é isso, saudade é aquilo, ódio é aquilo outro. Sempre procurei definir coisas, pessoas, conceitos com minhas próprias ideias, independente de elas serem unanimidades ou escorraçadas por todos. Eu prezo e sempre prezei o pensar por mim mesma, enxergar o mundo pela minha própria ótica, criar meus conceitos, minhas definições, minhas visões de mundo. Mas, a flexibilidade manda e, algumas vezes, eu me deixo seduzir por clichês prontos quando eles fazem sentido.
A frase que abre esse texto faz todo o sentido na minha vida. Eu sempre pensei o amor como algo abstrato, sentimento intrínseco ao ser humano, que pode ser vivido e deletado, de acordo com aquilo que a vida e o tempo nos oferece. Sempre pensei no amor como um terceiro elemento na relação: existe eu, meu parceiro e amor que nos une e isso sempre fez muito sentido para mim. Da mesma forma, todas as vezes que disse “eu te amo” na minha vida para alguém, sempre disse com toda a sinceridade do mundo, dentro desse conceito. Eu estava com alguém, o amor apareceu e assim, vivemos nosso triângulo por um tempo (que podia ser curto ou longo).
Não que eu tenha dito eu te amo para muitas pessoas na vida – dá para contar nos dedos de uma mão. Sempre achei que o amor era algo muito sério para se viver com qualquer pessoa. Muitas pessoas que tiveram uma grande importância na minha vida não fizeram por merecer a presença desse terceiro elemento na relação. E, não, de maneira alguma, descarto a importância delas na minha vida. Muito pelo contrário, agradeço por cada pessoa que um dia, despertou meu interesse, independente de ter sofrido ou sido feliz. Entendo que nós somos o resultado de tudo o que vivemos e entendo que todos os meus relacionamento anteriores foram fundamentais para o meu relacionamento atual. Porque eles, em parte, construiram meu caráter, minha visão de relacionamento. E, talvez, sem o meu passado, talvez eu não estivesse preparada para viver o que hoje eu vivo – e isso poderia simplesmente fazer meu namoro ir para o espaço.
Mas, voltando ao assunto, sempre entendi o amor como um componente importante num relacionamento a dois. Mas eu nunca tinha imaginado o amor como o enxergo hoje. Ele sempre esteve fora de mim. Contudo, hoje, sinto que ele sempre esteve aqui. Ou pelo menos, parte dele. A outra parte estava com ele. E quando nos encontramos, foi como se fosse um reencontro. De duas metades separadas que voltavam a se unir. E, sim, eu sei que isso soa super clichê, mas eu realmente sinto isso.
Por isso, foi tão natural dizer “eu te amo”. Assim como é natural ouvir ele me dizer “eu te amo”. São três palavras que podem expressar um sentimento. Mas que soam para mim como “que bom estar completa de novo”. Porque expressar o amor, para mim, é algo ligado a estar completo. Amá-lo é me sentir completa, forte, inteira. E quando às vezes eu penso que parece que ele sempre esteve comigo, é porque ele realmente esteve. E amar vira mais do que um sentimento complementar. É a síntese daquilo que faz com que duas pessoas sejam uma coisa só. E elas são uma coisa só porque sempre foram, mesmo estando distantes ou sem saber uma da existência da outra ou sequer imaginar que seus caminhos vão se cruzar um dia.
E agora vocês ja sabem que sou imensamente brega quando estou amando.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Transparência
Tenho o péssimo hábito de ser absurdamente transparente em minhas relações com homens, amigos, trabalho. Se estou irritada, dou patada. Se gosto, deixo isso claro. Se tenho ciúme, demonstro. Parece que não é assim que deveria ser. Ter sido honesta com meus amores, paixões, casinhos, amigos e afins, de uma maneira geral, não tem contribuído para o the end que eu tanto espero. Obviamente, isso causa choro e ranger de dentes quando o castelo de cartas desaba e você se vê, de novo, sozinha. Mas, mesmo assim, ainda acho que ser honesto vale a pena.
Meu ponto é: não tenho saco para joguinhos de sedução. E jogos de sedução, provocação, coleiras emocionais são atitudes tipicas de quem ainda não é maduro o suficiente para admitir para si mesmo que quer estar com alguém e assumir o risco que é se envolver com outra pessoa. Por isso, ela entra naquele jogo de não abraçar, mas não largar o osso.
Confesso que já agi assim muitas vezes na vida. E não me orgulho disso, embora entenda que esse é um período pelo qual todos devem passar. Principalmente quando se está apaixonado, é fácil cair no jogo da provocação gratuita: indireta no twitter, fazer ciuminho, ignorar o outro e todo esse mimimi. Mas, uma hora, você conclui que o desgaste de ficar nesse chove não molha não compensa. E se o outro lado não percebe isso, é porque o nível de maturidade dos dois é diferente. Logo, não compensa insistir em algo que já nasceu errado. Ou os dois jogam, ou não.
São em pequenas atitudes que você diferencia os meninos dos homens. As mulheres das meninas. Acho que estou aprendendo a enxergar isso finalmente.
E eu, sinceramente, cheguei a um nível que não tenho mais saco para isso. Se vou continuar sozinha, se não vou, se sofrerei no futuro, se não, que se foda. Há um ano, eu conheci todas as dores e delícias da paixão. Doeu muito. Mas foi muito melhor ainda. E se não deu certo, paciência. Mas eu repetiria tudo de novo. Sem pestanejar.
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Homens
(escrito em 6 de abril de 2011)
Gosto de homens difíceis. Que me irritam, me fazem perder a cabeça. Que me fazemjogar tudo para o alto e parar o mundo por um abraço e um beijo. Gosto de homens sutis, que elogiam sem deixar tudo às claras. Que transpiram desejo com aroma de gentileza. Que sabem sorrir e que sabem me fazer sorrir.
Gosto de homens que sabem o que querem. Que prendem minha atenção por horas e horas com conversar aleatórias sobre o nada. Que sentam num boteco sujo pra tomar cerveja em copo americano e falar de futebol. Que tomam uma garrafa de vinho tinto ou prosecco falando sobre viagens, livros e música. Que se fazem desejáveis. Que sabem que o beijo, o abraço, o carinho acontece naturalmente. Que não forçam a barra para você fazer aquilo ou isso. Que fazem com que eu me sinta protegida, segura.
Gosto de homens que me fazem querer que o mundo acabe enquanto sou abraçada ou beijada.Que fazem com que eu me sinta única, especial, desejada. Gosto de homens ranzinzas e bem humorados. Gosto de homens com barba, barriga. Gosto de homem. Com defeitos, chatices e afins. Gosto de homens que são homens. Que se comportam como homens. E que sabem o que é uma mulher. E como tratar uma.
Esses homens existem?
Gosto de homens difíceis. Que me irritam, me fazem perder a cabeça. Que me fazemjogar tudo para o alto e parar o mundo por um abraço e um beijo. Gosto de homens sutis, que elogiam sem deixar tudo às claras. Que transpiram desejo com aroma de gentileza. Que sabem sorrir e que sabem me fazer sorrir.
Gosto de homens que sabem o que querem. Que prendem minha atenção por horas e horas com conversar aleatórias sobre o nada. Que sentam num boteco sujo pra tomar cerveja em copo americano e falar de futebol. Que tomam uma garrafa de vinho tinto ou prosecco falando sobre viagens, livros e música. Que se fazem desejáveis. Que sabem que o beijo, o abraço, o carinho acontece naturalmente. Que não forçam a barra para você fazer aquilo ou isso. Que fazem com que eu me sinta protegida, segura.
Gosto de homens que me fazem querer que o mundo acabe enquanto sou abraçada ou beijada.Que fazem com que eu me sinta única, especial, desejada. Gosto de homens ranzinzas e bem humorados. Gosto de homens com barba, barriga. Gosto de homem. Com defeitos, chatices e afins. Gosto de homens que são homens. Que se comportam como homens. E que sabem o que é uma mulher. E como tratar uma.
Esses homens existem?
Complexo
(escrito em 10 de julho de 2011)
Tenho dois lados antagônicos que travam uma batalha ferrenha dentro de mim. E está cada vez mais insuportável conviver com ambos, agora que eles resolveram adiantar a crise dos trinta.
De repente, bateu um medo terrível de morrer velha, sozinha, e sem ninguém. De ficar para tia. De não conseguir ter uma família. Ou ter uma família desestruturada. Bateu medo de nunca conseguir viver um amor equilibrado, longo, para sempre (lembrando que o pra sempre, sempre acaba).
Ressalte-se que ando muito em paz com vida pessoal e trabalho. Feliz como há muito não estava. Então, por que raios desabo a chorar na madrugada, achando que o mundo vai acabar?
Pois é, não é fácil conviver com o dark side of moon que toda mulher complexa como sou tem. Daí meu outro lado, o que se mostra e brilha, me lembra que a arte da felicidade está na simplicidade, nas pequenas coisas e momentos de cada dia. Que o choro está no complexo, e não no simples.
E eu concluo que meu grande desafio nessa fase serena da vida é saber lidar com o simples e ser cada vez mais simples. Desafio gigante para a complexidade em pessoa que sou.
Tenho dois lados antagônicos que travam uma batalha ferrenha dentro de mim. E está cada vez mais insuportável conviver com ambos, agora que eles resolveram adiantar a crise dos trinta.
De repente, bateu um medo terrível de morrer velha, sozinha, e sem ninguém. De ficar para tia. De não conseguir ter uma família. Ou ter uma família desestruturada. Bateu medo de nunca conseguir viver um amor equilibrado, longo, para sempre (lembrando que o pra sempre, sempre acaba).
Ressalte-se que ando muito em paz com vida pessoal e trabalho. Feliz como há muito não estava. Então, por que raios desabo a chorar na madrugada, achando que o mundo vai acabar?
Pois é, não é fácil conviver com o dark side of moon que toda mulher complexa como sou tem. Daí meu outro lado, o que se mostra e brilha, me lembra que a arte da felicidade está na simplicidade, nas pequenas coisas e momentos de cada dia. Que o choro está no complexo, e não no simples.
E eu concluo que meu grande desafio nessa fase serena da vida é saber lidar com o simples e ser cada vez mais simples. Desafio gigante para a complexidade em pessoa que sou.
Amor só é bom se doer?
Pergunte ao seu orixá
Amor só é bom se doer
Por que sempre temos uma tendência terrível em complicar o que é simples? Ou amar e ser amado é uma tarefa complexa demais para ser desvinculada do sofrimento?
Claro que eu não tenho a resposta. Mas é claro que amor e dor caminham lado a lado. Às vezes eu acho que isso é pior quando se é mulher. Tenho uma impressão de quem está do lado de cá de que os homens conseguem lidar de uma forma mais tranquila com as dores e delícias dessa vida de tentar encontrar a tal da alma gêmea. Nós não.
Somos capazes de passar anos e anos vivendo amores platônicos e jogar fora em um dia um amor sincero. Não conseguimos decidir entre dois amores e resolvemos ficar com nenhum (ou com os dois, o que sempre dá merda). A gente sofre, chora, se descabela, tudo por que essa coisa de amar parece muito complexa/difícil/triste. DAmos valor para aquele cafa que chuta nossa bunda e ignoramos aquele mocinho todo bonzinho que está babando ali ao lado. O que é bizarro, se você pensar bem, porque o amor deveria proporcionar felicidade.
Pergunto-me sinceramente se já não passei mais tempo sofrendo por amor do que sendo feliz por ele. E me pergunto: por que isso, minha gente? Tem que doer tanto assim mesmo?
Como eu não tenho um orixá, eu não tenho quem responda para mim. Por isso, apelei para mim mesma para descobrir porque raios amar doi tanto. Não sei se isso é uma resposta. Mas acredito que, sem drama, o amor não teria graça. Eu não acho realmente que o amor tenha que doer. Mas cada vez acho que só achamos graça e só damos valor a alguém quando as coisas são difíceis, complicadas, quando os caminhos até a felicidade são tortuosos. O ser humano tem o DNA da superação em si, de sempre querer vencer desafios, de falar “eu consegui”. Fico pensando como é conquistar um amor sem algo que torne o ato dignno do verbo “conquistar”. Acho que ficaria sem graça. E, por isso, talvez a gente descarte o simples e prefira o complexo, o que dói, o que machuca, mas que proporciona momentos de felicidades muito maiores que toda a dor sentida junta.
E, dai, concluo: Vinícius estava certo. Amor, para ser bom, tem que doer.
Amor só é bom se doer
Por que sempre temos uma tendência terrível em complicar o que é simples? Ou amar e ser amado é uma tarefa complexa demais para ser desvinculada do sofrimento?
Claro que eu não tenho a resposta. Mas é claro que amor e dor caminham lado a lado. Às vezes eu acho que isso é pior quando se é mulher. Tenho uma impressão de quem está do lado de cá de que os homens conseguem lidar de uma forma mais tranquila com as dores e delícias dessa vida de tentar encontrar a tal da alma gêmea. Nós não.
Somos capazes de passar anos e anos vivendo amores platônicos e jogar fora em um dia um amor sincero. Não conseguimos decidir entre dois amores e resolvemos ficar com nenhum (ou com os dois, o que sempre dá merda). A gente sofre, chora, se descabela, tudo por que essa coisa de amar parece muito complexa/difícil/triste. DAmos valor para aquele cafa que chuta nossa bunda e ignoramos aquele mocinho todo bonzinho que está babando ali ao lado. O que é bizarro, se você pensar bem, porque o amor deveria proporcionar felicidade.
Pergunto-me sinceramente se já não passei mais tempo sofrendo por amor do que sendo feliz por ele. E me pergunto: por que isso, minha gente? Tem que doer tanto assim mesmo?
Como eu não tenho um orixá, eu não tenho quem responda para mim. Por isso, apelei para mim mesma para descobrir porque raios amar doi tanto. Não sei se isso é uma resposta. Mas acredito que, sem drama, o amor não teria graça. Eu não acho realmente que o amor tenha que doer. Mas cada vez acho que só achamos graça e só damos valor a alguém quando as coisas são difíceis, complicadas, quando os caminhos até a felicidade são tortuosos. O ser humano tem o DNA da superação em si, de sempre querer vencer desafios, de falar “eu consegui”. Fico pensando como é conquistar um amor sem algo que torne o ato dignno do verbo “conquistar”. Acho que ficaria sem graça. E, por isso, talvez a gente descarte o simples e prefira o complexo, o que dói, o que machuca, mas que proporciona momentos de felicidades muito maiores que toda a dor sentida junta.
E, dai, concluo: Vinícius estava certo. Amor, para ser bom, tem que doer.
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O amor entre homens (e mulheres) e um time de futebol
(escrito em 29 de agosto de 2011)
Texto que escrevi para o De Primeira sobre os 97 anos do Palmeiras
Hoje meu time completa 97 anos de idade. Ontem, jogando muito, daquele jeito que a torcida gosta, ele foi eliminado de um torneio que poderia ser a salvação do ano com um gol de um ex jogador que saiu do clube chutado pela torcida.
Eu faço parte da torcida que tinha medo do tal volante responsável pela eliminação do meu time ontem. Tinha e continuo tendo. Não me imnporta se hoje os tempos são outros, se isso ou se aquilo. Eu não aceito perna de pau no meu time, mesmo que seja obrigada a conviver com eles por anos, décadas. Eu aceito perna de pau, dirigente filho daquela senhora de má reputação, frio, chuva, trânsito, longas distâncias, derrotas acachapantes, jogos sem graça, jogos ruins, jogos soníferos, passes ridículos, falhas bizonhs da zaga, gols bizarramente perdidos. Aceito tudo, mesmo achando que meu time sempre tem que ser o melhor.
Muita gente não entende. MUUUUITA gente não entende MESMO essa coisa de ser torcedor. De aguentar humilhações, cansaço, chuva, frio e porrada atrás de porrada. Falando sério: você aguentaria de um namorado [a] o que você aguenta do seu time? Eu não e aposto que 99,99% dos torcedores de verdade que conheço (aqueles cujo humor varia junto com a situação do time na tabela do campeonato) não aguentariam também.
O ato de torcer não é pra qualquer um. Amar um time de futebol é, antes de tudo, ser um masoquista nato. A gente sabe que vai sofrer. Eu desisti de ter unhas longas porque existe o Palmeiras e, entre ter longas unhas pintadas de vermelho, eu escolhi devorá-las incansavelmente durante cada jogo, cada lance, mesmo que seja aquele jogo que não vale mais nada com time reserva contra um adversário inexpressivo. Torcedor de verdade tem uma doença pelo sofrimento que é torcer para um time de futebol. É uma dor que dá prazer. Necessário. É o sofrimento absolutamente indispensável para eu poder sem quem eu sou.
Sim, eu não tenho o menor problema em sofrer por conta do futebol. Ser torcedora fanática, retardada, daquelas que arrumar briga com desconhecidos em bar porque falaram mal do meu time me faz bem. É uma coisa meio louca, mas eu não tenho o menor problema com em conviver com os sentimentos doentios que estão ligados ao futebol.
É por isso que, hoje, 26 de agosto de 2011, eu estou feliz com o aniversário do time que ontem foi eliminado pelo Vasco na Copa Sulamericana. Eliminados na primeira fase, com um gol ridículo, feito por um jogador ridículo que eu não gostaria de ter no meu time de jeito nenhum.
Motivo de vergonha? De jeito nenhum. De sofrimento? Sim, quero que meu time ganhe até campeonato de par ou ímpar. Mas eu jamais terei vergonha das cores verde e branca que vestem a Rua Turiassú e que estão pintadas no coração de 18 milhões de apaixonados pela Sociedade Esportiva Palmeiras, esse time que eu amo tanto e amarei para sempre.
Parabéns, Palmeiras!
A real lição da dor
Tenho uma dificuldade imensa de escrever sobre o que quer que seja quando estou feliz. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. É a dor que me inspira, a dificuldade que me arranca palavras e as chateações que me instigam a joga para fora, em forma de palavras agrupadas, opiniões e pensamentos trancafiados dentro da minha cabeça.
E, contrariando os últimos anos, estou em uma fase de muita paz, felicidade e sorrisos sem motivo (ou melhor, com motivo sim. Mais de um, inclusive). Não que eu não tenha nenhum problema, é claro. Mas, pela primeira vez em muito tempo, no geral, está tudo espetacularmente bem (claro que dinheiro falta, sempre, mas com esse problema, eu já me acostumei).
Estou trabalhando em um lugar bacana, fazendo o que gosto. Estou com a pessoa que eu gosto e gosta de mim e estamos felizes, nos conhecendo melhor a cada dia, aproveitando cada momento mínimo e fofo da convivência mútua. Estamos nos descobrindo, rindo, conversando, conhecendo, enfim, vivendo o momento mais delicioso de um relacionamento. E, de repente, me vejo sem capacidade de escrever. Eu penso naquele sorriso, naqueles olhos brilhantes, me derreto e… nada de conseguir escrever. Eu fico presa dentro de mim mesma, vivendo sentimentos e emoções incríveis, novas, impossíveis de serem traduzidas em palavras – e não me esforço para fazer isso.
E sempre foi assim. Leio os blogs que tive desde 2003, quando criei meu primeiro “diário” no falecido Blogger Brasil, e vejo que os momentos de produção mais intensos foram exatamente aqueles no qual estava atormentada, insatisfeita, me sentindo ferida, machucada. É incrível como a dor é muito mais fácil de ser traduzida para aquilo que chamamos de linguagem escrita (ou falada) do que a paixão, o amor, a felicidade sublime. Por que isso, meu Deus? Não deveria ser ao contrário? Não deveríamos falar mais da felicidade, do amor, da paixão, dos sorrisos motivados por uma troca de olhares do que as lágrimas derramadas por quem não nos merece?
Sinceramente, acredito que sim. Mas, olhando para mim, para quem me cerca e para o mundo, de uma maneira geral, acredito que essa particularidade não seja apenas minha. E esse comportamento negativo é incentivado por nós. Isso fica bem claro para mim cada vez que escuto minhas amigas dizerem que estou com uma visão “distorcida da vida” porque estou apaixonada. Será? Será que a vida é realmente horrível e tentar não enxergar as coisas dessa forma é ter uma visão distorcida dela?
Fiz todo esse nariz de cera para chegar em uma situação que aconteceu essa semana e me deixou assustada: escutar, em menos de 24h, de três amigas diferentes, que não se conhecem, que elas concluiram que vão ficar sozinhas para sempre. Fico pensando quem tem razão e quem tem a visão distorcida: eu, que acho que é possível encontrar alguém legal, ou minhas amigas que acham que nunca vão encontrar. Acredito que a maioria das pessoas que vão ler esse post dirão: é claro que elas estão certas e você errada, Núbia!
Eu entendo perfeitamente que as pessoas pensam assim. Voltando um pouco, somos treinados para acreditar na desgraça e não enxergar o lado positivo das coisas. O que lemos nos jornais? Catástrofes, roubos, mortes, coisas ruins. Um carro bate e faz-se um trânsito gigante porque todo mundo que passa perto quer ver o morto jogado no chão. Desgraça é algo que o ser humano parece ter uma relação masoquista, de amor e ódio. Dizemos que não gostamos dos fatos e sentimentos ruins, mas temos uma visão extremamente pessimista da vida, de nós, do mundo. E eu me pergunto: até onde essa desconfiança de que tudo vai errado não colabora realmente para estragar um relacionamento? Até onde as amarguras do passado atrapalham o meu presente, o das minhas amigas, o seu?
Aprendemos que é com a dor que a gente cresce e é errando que se aprende. Mas, será que estamos aprendendo a lição correta que a dor nos quer passar? Será que a lição que os erros no traz é “veja isso e lembre-se que tudo pode dar errado” ou apenas “lembre-se desse momento, mas saiba analisar sua situação e entenda que as pessoas não são iguais”?
Eu quero acreditar que seja a segunda. Ok, é a visão de quem está vivendo um momento incrível na vida. Mas se eu tivesse me agarrado ao primeiro pensamento em lugar do segundo, eu nunca teria permitido que a pessoa incrível que mudou minha vida para muito melhor tivesse entrado na minha vida, por puro medo de que ele fosse “só mais um fdp”.
E, contrariando os últimos anos, estou em uma fase de muita paz, felicidade e sorrisos sem motivo (ou melhor, com motivo sim. Mais de um, inclusive). Não que eu não tenha nenhum problema, é claro. Mas, pela primeira vez em muito tempo, no geral, está tudo espetacularmente bem (claro que dinheiro falta, sempre, mas com esse problema, eu já me acostumei).
Estou trabalhando em um lugar bacana, fazendo o que gosto. Estou com a pessoa que eu gosto e gosta de mim e estamos felizes, nos conhecendo melhor a cada dia, aproveitando cada momento mínimo e fofo da convivência mútua. Estamos nos descobrindo, rindo, conversando, conhecendo, enfim, vivendo o momento mais delicioso de um relacionamento. E, de repente, me vejo sem capacidade de escrever. Eu penso naquele sorriso, naqueles olhos brilhantes, me derreto e… nada de conseguir escrever. Eu fico presa dentro de mim mesma, vivendo sentimentos e emoções incríveis, novas, impossíveis de serem traduzidas em palavras – e não me esforço para fazer isso.
E sempre foi assim. Leio os blogs que tive desde 2003, quando criei meu primeiro “diário” no falecido Blogger Brasil, e vejo que os momentos de produção mais intensos foram exatamente aqueles no qual estava atormentada, insatisfeita, me sentindo ferida, machucada. É incrível como a dor é muito mais fácil de ser traduzida para aquilo que chamamos de linguagem escrita (ou falada) do que a paixão, o amor, a felicidade sublime. Por que isso, meu Deus? Não deveria ser ao contrário? Não deveríamos falar mais da felicidade, do amor, da paixão, dos sorrisos motivados por uma troca de olhares do que as lágrimas derramadas por quem não nos merece?
Sinceramente, acredito que sim. Mas, olhando para mim, para quem me cerca e para o mundo, de uma maneira geral, acredito que essa particularidade não seja apenas minha. E esse comportamento negativo é incentivado por nós. Isso fica bem claro para mim cada vez que escuto minhas amigas dizerem que estou com uma visão “distorcida da vida” porque estou apaixonada. Será? Será que a vida é realmente horrível e tentar não enxergar as coisas dessa forma é ter uma visão distorcida dela?
Fiz todo esse nariz de cera para chegar em uma situação que aconteceu essa semana e me deixou assustada: escutar, em menos de 24h, de três amigas diferentes, que não se conhecem, que elas concluiram que vão ficar sozinhas para sempre. Fico pensando quem tem razão e quem tem a visão distorcida: eu, que acho que é possível encontrar alguém legal, ou minhas amigas que acham que nunca vão encontrar. Acredito que a maioria das pessoas que vão ler esse post dirão: é claro que elas estão certas e você errada, Núbia!
Eu entendo perfeitamente que as pessoas pensam assim. Voltando um pouco, somos treinados para acreditar na desgraça e não enxergar o lado positivo das coisas. O que lemos nos jornais? Catástrofes, roubos, mortes, coisas ruins. Um carro bate e faz-se um trânsito gigante porque todo mundo que passa perto quer ver o morto jogado no chão. Desgraça é algo que o ser humano parece ter uma relação masoquista, de amor e ódio. Dizemos que não gostamos dos fatos e sentimentos ruins, mas temos uma visão extremamente pessimista da vida, de nós, do mundo. E eu me pergunto: até onde essa desconfiança de que tudo vai errado não colabora realmente para estragar um relacionamento? Até onde as amarguras do passado atrapalham o meu presente, o das minhas amigas, o seu?
Aprendemos que é com a dor que a gente cresce e é errando que se aprende. Mas, será que estamos aprendendo a lição correta que a dor nos quer passar? Será que a lição que os erros no traz é “veja isso e lembre-se que tudo pode dar errado” ou apenas “lembre-se desse momento, mas saiba analisar sua situação e entenda que as pessoas não são iguais”?
Eu quero acreditar que seja a segunda. Ok, é a visão de quem está vivendo um momento incrível na vida. Mas se eu tivesse me agarrado ao primeiro pensamento em lugar do segundo, eu nunca teria permitido que a pessoa incrível que mudou minha vida para muito melhor tivesse entrado na minha vida, por puro medo de que ele fosse “só mais um fdp”.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
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